Introdução à puericultura


O que é puericultura

Puericultura pode ser definida como sendo a arte de promover e proteger a saúde das crianças, através de uma atenção integral, compreendendo a criança como um ser em desenvolvimento, com suas particularidades. Leva em conta a criança, sua família e o entorno, analisando o conjunto bio-psico-sócio-cultural.

Os atendimentos para cuidado com a saúde dos grupos etários definidos deverão incluir nestas consultas, no mínimo, os seguintes componentes:
I- Avaliação da história alimentar
II- Avaliação das curvas de crescimento
III- Estado vacinal
IV- Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor
V- Avaliação das condições do meio ambiente
VI- Avaliação dos cuidados domiciliares dispensados à criança
VII- Avaliação quantitativa e qualitativa do sono
VIII- Avaliação da função auditiva
IX- Avaliação da saúde bucal
X– Avaliação do desempenho escolar e dos cuidados dispensados pela escola
XI– Avaliação do desenvolvimento da sexualidade

Divisão da Pediatria por faixas etárias
Classificação Faixa etária
Recém-nascido – de 0 a 28 dias
Lactente – de 29 dias a 2 anos incompletos
Pré-escolar – de 2 anos completos a 5 anos incompletos
Escolar – de 5 anos comkpletos a 10 anos incompletos
Adolescente – de 10 anos completos a 19 anos incompletos
Calendário de Puericultura
Ministério da Saúde – Brasil
No primeiro ano de vida – na 1a semana;
– com 1 mês;
– com 2 meses;
– com 4 meses;
– com 6 meses;
– com 9 meses;
– com 12 meses.
No segundo ano de vida – com 18 meses;
– com 24 meses.
A partir de 2 anos de idade – consultas anuais, próximas ao mês do aniversário.
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
No primeiro ano de vida – na 1a semana;
– com 1 mês;
– com 2 meses;
– com 3 meses;
– com 4 meses;
– com 5 meses;
– com 6 meses;
– com 9 meses;
– com 12 meses.
No segundo ano de vida – com 15 meses;
– com 18 meses;
– com 24 meses.
Pré-escolar – consultas semestrais, próximas ao mês do aniversário.
Escolar – consultas anuais, próximas ao mês do aniversário.
Adolescente – consultas anuais, próximas ao mês do aniversário.

I- Avaliação da história alimentar


II- Avaliação das curvas de crescimento

Crescimento é um processo dinâmico e contínuo, expresso pelo aumento do tamanho corporal. Constitui um dos indicadores de saúde da criança.

Ele é influenciado por fatores intrínsecos (genéticos) e extrínsecos (ambientais) entre os quais se destacam a alimentação, a saúde, a higiene, a habitação e os cuidados gerais com a criança, que atuam acelerando ou restringindo tal processo.

Deve-se também levar em conta o crescimento intrauterino, pois diversas pesquisas atestam que alterações no crescimento fetal e infantil podem ter efeitos permanentes na saúde do adulto.

O acompanhamento sistemático do crescimento, do ganho de peso e altura, um fenômeno quantitativo, que termina ao final da adolescência, permite a identificação de crianças com maior risco de morbidade, por sinalização precoce de subnutrição e da obesidade.

Todos os dados antropométricos obtidos devem ser colocados nas curvas da OMS – 2006/2007, que constam na Caderneta de Saúde da Criança.

Perímetro cefálico

Peso

Altura/Estatura

Índice de massa corpórea (IMC)


III- Estado vacinal

Recomendações do Ministério da Saúde – Brasil – 2018

Criança, Adolescente, Adulto, Idoso e Gestante

Recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – 2018

Criança e Adolescente

Recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2018/2019

Prematuro
Criança – 0 a 10 anos
Adolescente – 11 a 19 anos
Gestantes

Leia mais:
Vacinação do adolescente


IV- Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor

O conceito de desenvolvimento é amplo e se refere a uma transformação complexa, contínua, dinâmica e progressiva, que inclui, além do crescimento, maturação, aprendizagem e aspectos psíquicos e sociais.

O desenvolvimento da criança será sempre mediado por outras pessoas, pelas famílias, pelos profissionais de saúde, da educação entre outros que delimitam e atribuem significados à sua realidade. Costuma-se falar em desenvolvimento:
– cognitivo;
– psicossocial: a interação com os membros da família e com a sua rede social de proteção assegura a sua sobrevivência e a sua relação com o mundo, contribuindo para o seu desenvolvimento psicossocial. Na sua relação com os adultos, assimila habilidades como: sentar, andar, falar e controlar esfíncteres;
– afetivo: durante os primeiros dois anos, um aspecto importante é o desenvolvimento afetivo, caracterizado pelo apego (vínculo afetivo básico).

O desenvolvimento também é qualitativo – significa aprender a fazer coisas, evoluir, tornar-se independente – e geralmente é um processo contínuo.

Alguns Marcos do Desenvolvimento
2 meses
– Observa um rosto
– Segue objetos ultrapassando a linha média
– Reage ao som
– Vocaliza (emite sons diferentes do choro)
– Eleva a cabeça e os ombros na cama na posição prona
– Sorri
4 meses
– Observa sua própria mão
– Segue com o olhar até 180°
– Grita
– Senta com apoio
– Sustenta a cabeça
– Agarra um brinquedo colocado em sua mão
6 meses
– Tenta alcançar um brinquedo
– Procura objetos fora do alcance
– Volta-se para o som
– Rola no leito
– Inicia uma interação
9 meses
– Transmite objetos de uma mão para a outra
– Pinça polegar-dedo
– Balbucia
– Senta sem apoio
– Estranhamento (prefere pessoas de seu convívio)
– Brinca de esconde-achou
12 meses
– Bate palmas, acena
– Combina sílabas
– Fica em pé
– Pinça completa (polpa a polpa)
– Segura o copo ou a mamadeira
15 meses
– Primeiras palavras
– Primeiros passos
– É ativa e curiosa
18 meses
– Anda
– Rabisca
– Obedece ordens
– Nomeia objetos
24 meses
– Sobe escadas
– Corre
– Formula frases simples (“dá água”, “quer papar”)
– Retira uma vestimenta
– Tenta impor sua vontade
* A partir dos 2 anos de idade, o contexto cultural em que a criança se insere passa a ter uma influência maior e, consequentemente, também há maior variação entre os marcos.

Leia mais:
Desenvolvimento normal da criança


V- Avaliação das condições do meio ambiente


VI- Avaliação dos cuidados domiciliares dispensados à criança


VII- Avaliação quantitativa e qualitativa do sono


VIII- Avaliação da função auditiva

Teste da orelhinha

Teste da orelhinha


IX- Avaliação da saúde bucal

Dentição da criança


X- Avaliação do desempenho escolar e dos cuidados dispensados pela escola


XI- Avaliação do desenvolvimento da sexualidade


Rotinas sugeridas

Medicamentos habitualmente prescritos
Vitamina K
– IG > 32 semanas; Pn > 1.000g: 1mg IM ou EV ao nascer.
– IG < 32 semanas; Pn > 1.000g: 0,5mg IM ao nascer.
– Pn < 1.000g, independentemente da IG: 0,3mg IM ao nascer.
– Profilaxia contra a doença hemorrágica neonatal por deficiência de vit. K.
– Se houver recusa quanto à administração injetável, garantir o fornecimento da vit. K oral, [2mg ao nascer + 1mg/semana durante os 3 primeiros meses]. As doses repetidas são imprescindíveis para os bebês amamentados ao peito. Naqueles com outro tipo de alimentação, poderia ser suficiente a dose inicial.
Vitamina D
– bebês a termo, no primeiro ano de vida: 400UI/dia; a suplementação deve ser iniciada logo após o nascimento.
– prematuros, no primeiro ano de vida: 400UI/dia; a suplementação deve ser iniciada quando o peso for superior a 1500 gramas e houver tolerância à ingestão oral.
– crianças a partir do segundo ano de vida: 600UI/dia.
– Também devem receber profilaxia crianças e adolescentes que não ingerem pelo menos 600UI/dia na dieta, ou que não se exponham ao sol regularmente.
Ferro

Leia mais:
Hipovitaminose D: insuficiência e deficiência de vitamina D

Exames complementares habitualmente solicitados
Anualmente, a partir de um ano de idade, para lactentes, pré-escolares e escolares eutróficos
– hemograma completo
– ferritina
– urina I e urocultura
– parasitológico de fezes (EPF) 3 amostras
Anualmente, para todos os adolescentes, e para lactentes, pré-escolares e escolares com risco de sobrepeso, sobrepeso ou obesidade
– hemograma completo
– ferritina
– urina I e urocultura
– parasitológico de fezes (EPF) 3 amostras
– uréia, creatinina
– ALT e AST
– lipidograma
– glicemia de jejum
– TSH e T4 livre
– 25-OH-vitamina D

• Marcelo Meirelles
– Médico Pediatra
– Médico Hebiatra (Especialista em Medicina do Adolescente)


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